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sábado, 25 de maio de 2013

O (Meu) Grande Amor

Inspirado no tema O Grande Amor (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes)...

http://www.youtube.com/watch?v=4YfEMhlcX54

...Quando a minha filha nasceu (fará hoje exactamente 12 anos) dediquei-lhe estes versos, respeitando a rima e a métrica daquela melodia:

Minha versão:

Faça o que puder
Que os sinos dobrem
Quando ela quiser.

E forças hei-de ter
Ao ver nascer
A Leonor:
Felicidade o meu viver!

Sentirei calor
Ao acolher
A minha flor
Meu bem-querer
Minha paixão
Um violão
Feliz tocou!


Versão original:

Haja o que houver
Há sempre um homem
Para uma mulher.

E há-de sempre haver
Para esquecer
Um falso amor,
Uma vontade de morrer.

Seja como for
Há-de vencer
O grande amor
Que há-de ser
No coração
Como um perdão
Pra quem chorou.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Língua (ou arma) Branca

Esta dia representa exactamente 5 anos em que este poema foi escrito...

"Língua Branca"

Tua língua é arma branca:
Dilacera a minha paz.
É fera que se destranca,
Não lhe importa o que faz.

Tua língua é dilatada,
Qual balão gaseificado,
Explodindo à hora errada,
Como um caldo entornado.

Tua língua é serpente
Que envenena a minha cruz:
Faz morrer tão lentamente
O melhor da nossa luz.

É língua precipitada
À menor demarcação
Não se contém, na jornada,
A quem lhe transmita um "não"!

Já prefiro estar à míngua
Sem carícias, sem ternura,
A suportar essa língua:
Chantagista em Ditadura!

À noite desesperado,
Sem poder nada fazer,
Vou dormindo acordado,
Sufocando o meu viver.

Tua língua: um vai-e-vem
Como os que mancham o céu
Exibindo o seu desdém
Assim que desvendo o véu.

Tua língua: arma branca,
Covil de insatisfação.
Fosses uma zona franca
Inibias progressão...

Tua língua é energia
De tal negatividade.
Faça noite ou seja dia
Não há rotatividade.

Tua língua é comparável
Ao brilho do teu olhar:
De expressão desagradável
E silêncio de mal-estar-

De tanto esticar a corda,
Aturando o impossível
Vou "saltando" fora borda
Para algo apetecível.

Se bebesse "Pêra-Manca"
Com total satisfação
Não havia língua branca
Que armasse confusão!

(epílogo quase cinco anos depois: 09.08.2012)

E de tanto à língua dares,
Com escárnio e maldizer,
Acabei por mudar de ares...
Nós ficámos a perder.




sábado, 1 de setembro de 2012

Amigos...

Amigos são anjos que Deus coloca nas nossas vidas para tornar menos penosa a caminhada que nos esteja destinada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Há muitos voos atrás...

Tinha lágrimas aos molhos
Porque não via você;
Não se pode ver com os olhos
O que só o peito vê.




E que meu coração vê?
É segredo, não o nego.
Mas... "por causa de você"
Sei que ele já não é cego...

(Dedicado a Doce Maior)


domingo, 19 de agosto de 2012

Nas Sombras dos Olhos (29.07.2007) - Letra e música do Pássaro Distante


(foto retirada, com a devida vénia, a http://umaespeciedenada.blogspot.pt/2007_04_01_archive.html)

I

Cobrem os olhos desejos magoados
Por contos guardados em lábios judeus.
Fitam os olhos tormentos passados,
Ímpetos negados pelos olhos teus.

Calas nos olhos sonhos adiados,
Abraços vedados, escombros de dor.
Gestos perdidos, enredos frustrados,
Lamentos tapados no teu cobertor.

Ref.

Caeam dos olhos queixumes salgados,
Desorientados por olhos ateus.
Gestos feridos e contrariados
Nos versos em branco das sombras de Deus.

II

Guardas nos olhos sons embaciados
De tempos passados em noites de amor:
Loucos gemidos, prazeres trocados,
Corpos saciados em leitos de flôr.

Mostras, nos olhos, teu ar deplorado,
Absorto, enjeitado, sem sombra de luz.
Cedes carinhos, automatizado,
Seguindo trajectos em torno da cruz.

III
(19.08.2007)

Escondes os olhos nessas mãos marcadas,
Quiçá deformadas por tanto labor...
E, orgulhosas, passam madrugadas
Decerto acordada, guardando rancor.

Fitas meus olhos, em jeito inocente,
Sorriso ausente, ensurdecedor...
Abres teu peito: teu corpo carente
Querendo somente gemidos e dor.

A melodia está registada aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=VYKoiPoxPew&feature=plcp

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A CORRECTA DEFINIÇÃO DE POESIA

Aos que (des)consideram a poesia e a associam à "loucura", do meu ninho surge a seguinte resposta:

A POESIA É A FORMA DE DAR SENTIMENTO À LUCIDEZ...

terça-feira, 13 de março de 2012

Minha CARTA AO TOM 2004

CARTA AO TOM 2004 (Pedro, Pássaro Distante)

Lua que entre o meu Sol se intromete
E para os meus sonhos cobra frete
Com receio de voos especiais,

Esses que levam meu corpo com vaidade
Para junto da tal eternidade
Onde brilha Vinícius de Moraes.

Mas o famoso poeta não queria
Afastar a letra da melodia
Desse Tom que a estrela não esqueceu.

Lembrando os sons e as cores de aquarela,
Escondendo a tristeza desta tela
Encobrindo-a num véu ou cobertor.

É meu amigo, perante a gentileza
do poeta amado nesta mesa
É preciso lembrar o seu valor.

domingo, 11 de março de 2012

Mar do Outro Lado (Pássaro Distante)

Mar Do Outro Lado (Pássaro Distante)

Se eu pudesse retirar esta saudade
Dos confins do meu olhar emudecida
E te a desse, embrulhada na vontade,
Para sentires como anda a minha vida...

Se eu pudesse dominar o meu lamento
Sem as notas deste acorde angustiado
Que esvoaça abafado pelo vento
E não sopra junto de quem está calado.

Se eu pudesse mostrar-te este olhar ausente
E o perfume dum tal corpo arrastado
Para o cais que não recebe sorridente
O silêncio de quem seja abandonado.

Se eu pudesse viver anestesiado
Pelo tempo que durasse a tua ausência
Ou presença nesse "mar do outro lado"
Que se agita ao pé de ti com veemência.

Se pudesse... mas não posso interferir
Com a corrente, prepotente, do destino
Que te prende na vontade de partir
E afoga o teu sonho de menino.             

                           
Pássaro Distante homenageado em: http://www.fotolog.com/esanchez/27649413/
On March 05 2008

quarta-feira, 7 de março de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Cera ousada (Foto de Chris Ramos)


Sou a cera que se derrete nessa mente agitada
com a qual se torna cúmplice numa ousada caminhada.
Do teu brilho vejo ideias, derramadas pela estrada
com destino à tua alma, ensejo para nova vaga.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Agarra-me esta noite (Arte digital de Chris Ramos)

Vermelha, ou sofrimento,
a mancha abraça o calhau,
movediça como o vento,
agreste como essa nau,
desliza neste momento.

Aguarda a água do mar
ajudada pela maré,
depois de muito penar
pretende banhar-se da fé
que um dia não soube guardar.

Calhau duro e teimoso;
Jovem? Ou principiante,
que, deveras desgostoso,
desiste ao primeiro instante
em tom cerimonioso?

Tão intensa esta espera
como quem lê um soneto.
No branco da atmosfera
vê as marcas do esqueleto
da pegada que trouxera...

Na marcha da maresia,
num compasso sem maestro,
numa estrofe sem poesia,
numa escrita de ambidextro,
sinto os sons da agonia.

Sinto o peso do calhau
e de todo o desconforto,
sem abrigo ou chão de pau
que acolha este pé morto
de esperar por tua nau.

Mulher dura e egoísta,
sedenta do verbo ter,
que desrespeita o artista
e a vontade de viver
numa harmonia prevista.

De tanta espera me canso,
pois não há eternidade
que acalme o balanço
dessa tal ansiedade.
Assim, neste mar, me lanço.

Levo "A Valsa do Adeus",
outra obra do Kundera,
a fronha dos olhos meus,
a herdeira de quem gera
 e protegida de Deus.

Agarra-me esta noite.
Amanhã já será tarde
pois, depois de tanto açoite,
no meu peito já não arde
 a paixão que me afoite.

É, pois, a marca do tinto
nesse calhau espalhada
por quem era tão faminto
pela tua madrugada
e, agora, nada sinto.

Levantei-me dessa base
quando vi que era ferro
e passei para outra fase
que chamava o meu berro,
na qual não há quem se case.

Onde estão as tuas flores?
Caiem secas, na varanda,
como caem os amores
submersos a quem manda
sem respeito aos odores.

Pode ser que ressuscitem,
as flores que não cuidei.
Elas talvez se agitem
ao dizeres: "aqui del Rei!"
E em "formatura" fiquem.

Fujo de novo convénio
ao qual ganhei crispação.
Não é preciso ser génio
para saber dizer: não!
Afinal, outro milénio!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Oração à Musa-Flor (Foto de Chris Ramos)



Do piano em que me viste surgem as rosas preenchendo o nosso amor, de um modo completo, indelével, delicado e permanente.

Pelo teu amor, peço, voluntariamente, que os espinhos das rosas marquem o meu corpo, para que nada aconteça ao teu Ser.

Os meus acordes em Lá menor, que sublinham a minha humildade face à Musa-Mor, altiva e distante, ecoam pelo Cais do Pensamento, onde a maresia insiste em castigar a minha profunda solidão.

 Descem, tais acordes do lá menor, de meio-tom em meio-tom, até chegarem ao Fá, enfim, ao Fado de uma vida absolutamente consciente de um corpo localizado onde a alma não devia estar.

Tal como os nossos desencontrados caminhos... Dir-me-ias: se os invertidos são aceites como a nova "classe dominante" (em estilo "metrosexual de maçã reineta") , esta inversão desalinhada do corpo e do espírito não deveria ser considerada... normal? Não é. Seguramente. Para mim e para ti.

Ambos sabemos que haverá, algures nesta dolorosa caminhada, o tão ansiado ponto de encontro, no qual, retemperada das dores físicas e psicológicas, terás a disponibilidade para virar para uma outra página da tua iluminada vida e seguir em frente, de mãos dadas, serenamente e... em paz.

Brindemos, pois, à paz, a nós e ao futuro.

Ergo um copo de vinho tinto e coloco-o sobre o piano, onde, desafinado, esboço mais uns acordes que transformam qualquer poema numa singela oração pelo teu bem-estar...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Flor musical (foto de Chris Ramos)



Poder vencer o meu Fado
Mostra ser tarefa ingrata
Pois quem vive no pecado
Não merece a Concordata.

Mas para quê a Igreja,
perdida de humildade?
De sermão, velho, boceja:
Burguesa da Nova Idade.

"Das pétalas surgem notas,
uns bálsamos musicais.
Elas não trazem batota
saos momentos especiais.

São notas de nostalgia
que consigo libertar
do pólen da agonia
que acompanha o meu pensar.

Uma pauta de Jobim
mostrará "Insensatez"
de um passado sem fim,o
u de uma "Regra Três"?

Por aqui vês o dilema,
escrito na "Bossanova",
qual "Garota de Ipanema"
que deite esta flor na cova...

Estar sem ti, não será certo.
Sou a planta isoladado
 teu Ser, de Mar Aberto:
fugaz maré dedicada...

Se atravessa a corda bamba
e vai banhar-se no Brasil
não resiste a dançar samba,
regressando ao juvenil.

Pobre Idade! Pareço alma penada
com camadas de alcatrão
escaldado, na estrada,
sem qualquer contemplação.

O cimento que me cerca,
ajudado por ruído,
reforçará minha perca:
O sabor dum sustenido.

Desta vida sei de cor
o suor das minhas gentes
traduzido em lá menor
e estratégias indecentes.

A melodia que exalo
e acompanha o cheiro
compensa tudo o que calo
neste leito de ribeiro.

Mais lamento não poder
ouvir os meus próprios sons.
Estou a ensurdecer
Quando ouço esses tons:

Foz de queixas repetida
se deveras dissecadas.
Fossem as vidas... vividas
e não tão vitimizadas...

Se do dia vejo o breu
- digo isto sem rancor... -
é sinal que o apogeu
abandonou nosso amor...

Outra pauta de Jobim
que vá buscar ao "baú"
é defesa, para mim,
a qualquer Ser, como Tu.

Se quiseres saber mais,
do teor dos nossos vícios,
para quê ler só jornais
se tens os meus "Sete Ofícios"?

Posso ser ave, ou flôr,
nuvem, lua ou o mar.
Mas se queres meu amor
tens de deixar respirar...

Eu preciso respirar...
Bem preciso respirar!...
Não consegues enxergar?!
É preciso enxertar?"

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Caminhos proibidos (foto de Chris Ramos)


Por caminhos sinuosos
Apesar de olhar o mar,
E momentos tortuosos
Que afectam teu bem-estar,

Vou escalando esta montanha
... Sob efeito violeta
E alguma artimanha
D' alguém que toque a sineta.

Somos cabras do rebanho
E bodes de mau pastor
Ávido dos seus bons banhos
Impregnados de rancor.

Por entre essas pedras soltas
Circulam as falsidades
Que fazem orelhas moucas
Às nossas fragilidades.

Mar azul da aparência
Em que espelho te revês?
No céu da clarividência
Ou na cama do marquês?

Somos carne para canhão,
No leito desses doutores
Que, da vil governação,
Não distinguem os pudores.

Nos caminhos proibidos
Por varões irregulares
De madeira, são sortidos
Os pruridos dos teus pares.

Quem, outrora bestial
Por fazer aquele favor,
É jogado ao matagal
Sem clemência, nem pudor.

Eis aqui, no precipício,
Postergado de razão,
Quem cultivou frágil vício
E caiu na tentação.

No momento, duma hora
Em que o Sol não vai nascer
É julgado, sem demora:
Condenado a morrer!"